domingo, 10 de maio de 2015

História e Memórias da Escravidão Negra nas Telas dos Pintores Debret e Rugendas. O 13 de Maio de 1888

Jean Baptiste Debret 
(1768-1848)
Apresentamos a História da Escravidão Negra no Brasil, a partir da leitura de imagens,  para   trazer  à memória dos nossos alunos um  importante fato histórico,  que do do ponto de vista da legislação  do Estado brasileiro pôs  fim,  oficialmente,  à  escravidão negra  no país:  a assinatura   da Lei Áurea, pela Princesa Isabel,  em 13 de Maio de 1888. 
  
São   imagens pintadas por dois importantes pintores europeus que chegaram ao Brasil na primeira metade do século XIX: o francês Debret e o alemão Rugendas. Essas fontes imagéticas podem ser trabalhadas com os alunos, com os seguintes objetivos:
·        -  Analisar e compreender a História da Escravidão Negra no Brasil, para que saibam de onde vieram, por que, como, o que querem agora;
·        -  Serem  capazes   de ler  as imagens e relacioná-las  com outras fontes históricas, a exemplo dos documentos escritos e  demais representações.
Johan Mauritz Rugendas
 (1802-1858)

A vinda para o Brasil do Rei D. João VI acompanhado pela Corte Portuguesa, em janeiro de 1808 (início do século XIX), fugindo da invasão das tropas de Napoleão Bonaparte a Portugal, trouxe grandes transformações para a Colônia, que passou a ser a Sede do Governo Português. 

Sete anos depois, em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves (região do sul de Portugal), ou seja, deixou de ser uma colônia, adquirindo autonomia administrativa, o primeiro passo para proclamar sua Independência de Portugal em 7 de Setembro de 1822.
Junto com a família real chegaram  escritores e pintores europeus,  com a finalidade de retratar o cotidiano do “império  nos trópicos”, os  aspectos  econômicos, sociais e culturais da Colônia. Era a Arte a serviço da Memória Histórica do Brasil, durante a primeira metade do século XIX.   Dentre os pintores ou desenhistas, como eram chamados,  destacam-se  o pintor  francês Jean Baptiste Debret e o alemão Johann Moritz Rugendas.
Jean Baptiste Debret (1768- 1848)
Debret integrou a Missão Artística Francesa que chegou ao Brasil em 1816. Ao regressar à Europa publicou seu livro  Voyage Pitoresque et Historique au Brésil (Viagem Pitoresca e Histórica  ao Brasil),  que  foi traduzido para o português por Sérgio Milliet em meados do século XX. O livro tinha três volumes, com 153 pranchas dotadas de legendas, que comentam cada retrato apresentado.  O primeiro volume apresenta os índios e a mata nativa; o segundo concentra-se nos escravos: o trabalho urbano, os artesãos e a agricultura;  o terceiro foca cenas do cotidiano, as manifestações culturais, festas e tradições populares.
Johann Moritz Rugendas (1802-1858)
O pintor alemão Johann Moritz Rugendas,  chegou ao Brasil em 1821, integrando a missão do Barão de Langsdorff, cientista e diplomata russo. No Brasil, Rugendas logo deixou a expedição e passou a viajar por conta própria, percorrendo de 1822 a 1825 várias partes do país. 
Retratou variados aspectos da vida da nação que acabara de se formar, depois de ficar  independente de Portugal. Rugendas registra justamente o momento de transição entre o Brasil Colônia e o Brasil nação independente, formando uma coletânea de cem trabalhos publicada em Paris, em 1835, sob o título de “Voyage Pittoresque au Brésil” (Viagem Pitoresca ao Brasil).

Por meio das telas  de Debret e Rugendas,  iremos conhecer o  cotidiano, a religiosidade, o trabalho duro nos engenhos, o trabalho urbano,  festas e tradições populares  dos escravos nos registros históricos  desses dois viajantes europeus.  Veja, estude, interprete e  se emocione com as imagens.


Negros no fundo do porão de navio. Desenho: Johann Moritz Rugendas, 1835
 A viagem nos navios negreiros era dura. Mulheres, homens e crianças  se espremiam deitados ou sentados, por falta de espaço. A travessia do Oceano Atlântico saindo da  África para a Diáspora na  America deve ser lembrada para que aqueles horrores não  se repitam jamais. 


Desembarque no Cais  do Valongo, Rio de Janeiro. Rugendas
Aqui desembarcaram  cerca de dois milhões de escravos.  

Assista ao vídeo sobre o desembarque dos negros no Cais do Valongo

 Mercado de Escravos. Desenho: Johann Moritz Rugendas, 1835.
Local onde os escravos ficavam expostos, como mercadorias, após  desembarque dos navios, para serem examinados pelos compradores 
Mercado  da Rua do Valongo ou Val-Longo, Rio de Janeiro. 
Gravura de Debret, 1820 -   Cais do Porto do Valongo no  Rio de Janeiro.  Aqui os escravos depois do desembarque e inspeção médica, ficavam expostos para serem vendidos.


Escravas negras de diferentes nacionalidades.
Litografia: Jean Baptiste Debret, 1834-1839.
Engenho de açúcar de cana.  Desenho: Johann Moritz Rugendas, 1835
Habitação dos negros.  Litografia: Johann Moritz Rugendas, 1835.
Qualquer semelhança com os casebres das atuais favelas, 
não é mera coincidência. 
Os Castigos para manter o controle,  
rebaixando o moral dos negros 
Aplicação do castigo da chibata. Debret
Sapateiro - Debret. O dono da sapataria castiga  
o escravo sob o olhar de  aprovação da mulher 
Capitão do mato. Desenho: Johann Moritz Rugendas, 1835.
O capitão do mato era encarregado de caçar os escravos 

que fugiam e se escondiam na mata
O Trabalho Duro e  Especializado nos Engenhos

Engenho Manual que Faz Caldo de Cana. Debret, 1822.  Aquarela sobre papel.  Museus Castro Maya. Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz

RELIGIOSIDADE 
Obs: Embora a legenda atribua a obra Trés Orixás a Rugendas, ela é de autoria da grande artista plástica brasileira Djanira Djanira da Mota e Silva, que  nasceu em Avaré – São Paulo em 1914. Foi pintora, desenhista, ilustradora, cartazista e cenógrafa brasileira. Ainda fez desenhos para tapeçaria e azulejaria. Aos 23 anos, contraiu tuberculose e foi internada no Sanatório Dória, em São José dos Campos.
Fonte: https://taislc.blogspot.com.br/2014/11/djanira-e-sua-obra.html

Jovens Negras Indo à Igreja para Serem Batizadas. Debret, 1821
aquarela sobre papel.  Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz
Johann Moriz Rugendas. Festa de Nossa Senhora
 do Rosário,  Patrona dos Negros
Jean Baptiste Debret. Coleta para a manutenção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário 
 CENAS DO COTIDIANO 
Típica cena do cotidiano doméstico.  Senhora costurando, a filha estudando e os escravos na lida diária
Rugendas. Uma senhora brasileira em seu lar

Um jantar brasileiro. Jean Baptiste Debret 

Os “escravos de ganho” ou  “negros de  ganho”  
    
"Negras de Tabuleiro"

Obra Feira livre, de Jean Baptiste Debret   A mistura de raças, culturas e sabores resultaram na criação de pratos que se tornaram emblemas da brasilidade. Elas lembram as atuais baianas do acarajé.  

Os  escravos africanos que chegaram ao  Brasil entre os séculos XVI e XIX, não trabalhavam apenas nos engenhos de cana-de-açúcar, pois aqui se praticava  diferentes formas de trabalho escravo. Até o século XVII, os engenhos de cana-de-açúcar eram a principal atividade econômica da colônia. 
Nas cidades, as formas de trabalho escravo variavam. A Bahia, por exemplo, recebeu negros muçulmanos de língua iorubá, que sabiam ler e escrever em árabe, e não trabalhavam na lavoura.  
Em cidades litorâneas, como o Rio de Janeiro, Recife e Salvador existiam os “escravos de ganho” ou  “negros de ganho”, que  viviam nas cidades, onde circulavam livremente. 

Trabalhavam em serviços domésticos, como vendedores ambulantes, alfaiates,  carpinteiros, ferreiros, marceneiros,  estivadores, barqueiros, aprendizes, mestres em artesanato, barbeiros, sapateiros etc., e dividiam o que ganhavam com seus donos. 
Muitos compraram a liberdade com esses ganhos. As mulheres geralmente trabalhavam como amas de leite, doceiras e vendedoras ambulantes - as chamadas “negras de tabuleiro”.
Jean Baaptiste Debret: Negros vendedores de aves, 1823. 
Aquarela sobre papel. Rio de Janeiro. Museu Castro Maya/Iphan


“Negras de Tabuleiro”

Negras cozinheiras, vendedoras de angu - Debret 
Rugendas. Venda no Recife

 A CAPOEIRA OU DANÇA DA GUERRA  - Momentos de descontração

                             "Jogar Capüera ou Dance de la Guerre" (Jogar Capoeira  ou  Dança  da Guerra).   RUGENDAS, J.M. Voyage pittoresque et historique dans le Brasil. Engelmann et Cie, Paris, 1834

Litogravura de Rugendas (Negro e Negra na Fazenda)  

Para ilustrar o que você viu aqui, assista ao vídeo

Veja o filme  A Rota do Escravo - A Alma da Resistência 
   

Abril. Revista Escola
http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/visoes-passado-423234.shtml

Illustratus     http://blogillustratus.blogspot.com.br/2010_05_01_archive.html

http://educacao.uol.com.br/biografias/jean-baptiste-debret.jhtm

Blog Virtualia - O  Manifesto Digital 
http://virtualiaomanifesto.blogspot.com.br/2008/11/viagem-pitoresca-ao-brasil-de-debret-e.html
Formas do trabalho escravo no brasil
http://pt.slideshare.net/marialuzinete/rugendas-e-debret-retratos-da-escravido-no-brasil
http://www.brasilescola.com/historiab/formas-trabalho-escravo-no-brasil.htm
http://oglobo.globo.com/rio/pesquisa-americana-indica-que-rio-recebeu-2-milhoes-de-escravos-africanos-15784551

Vídeo: A Rota do escravo  

https://www.youtube.com/watch?v=HbreAbZhN4Q&feature=youtu.be

2 comentários:

  1. Caro amigo. Excelenteseu Blog. Por isso permito-me corrigir a legenda da Ilustração "Três orixás" indicada como sendo de autoria de Rugendas e na realidade é da pintora paulista Djanira Motta e Silva (1914-1979).

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  2. Obrigada, caro Rei Barroco. Pesquisei no Google e confirmei sua retificação.
    A Grande artista plástica Djanira Djanira da Mota e Silva nasceu em Avaré – São Paulo em 1914. Foi pintora, desenhista, ilustradora, cartazista e cenógrafa brasileira. Ainda fez desenhos para tapeçaria e azulejaria. Aos 23 anos, contraiu tuberculose e foi internada no Sanatório Dória, em São José dos Campos.
    Fonte: https://taislc.blogspot.com.br/2014/11/djanira-e-sua-obra.html
    Abraço, volte sempre !

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