terça-feira, 9 de abril de 2013

África e Herança Cultural: histórias, contos e lendas africanas. Lendas dos Orixás, deuses da África. Instrumentos musicais de origem africana


As antigas sabedorias dos povos africanos vêm sendo contadas de boca em boca por sucessivas gerações, percorrendo as diferentes paisagens do continente ou cantadas em praça pública, contribuindo para conservar e transmitir a memória oral  ensinadas como lições de vida  às gerações mais novas.  São histórias de caçadores e agricultores, bruxas e feiticeiros, reis e princesas,  heróis que atravessam a mata para cumprir seus destinos. 
É com o propósito de destacar a importância de se transmitir aos mais jovens valores fundamentais de respeito aos antepassados, à natureza, aos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, como pregavam os revolucionários da França de 1789 (Revolução Francesa) que apresentamos algumas lendas africanas e a força dos tambores que cruzaram o Oceano Atlântico e chegaram ao Brasil. Cada país, cada povo, cada região tem suas tradições, seus costumes, sua cultura. As histórias, lendas, danças, artes e maneira de viver de um determinado local é o que chamamos de cultura popular.  

Cultura popular são as manifestações dos costumes, crenças e atividades artísticas produzidas pelo povo e passadas  livremente   de geração a geração."  A cultura brasileira é muito rica, porque tem a influência  de vários povos que contribuíram para a nossa formação, como os portugueses, os indígenas e os africanos. Iremos contar um pouco da  força da mitologia e a riqueza cultural da África e de seus povos,  destacando   contos e lendas sobre instrumentos musicais de origem africana e lendas dos Orixás,   deuses da África.
Para melhor compreensão do que iremos estudar, vamos  primeiro tentar  entender os  gêneros textuais: mito, fábula, conto e lenda. Eles fazem parte da literatura popular, a qual  é transmitida oralmente, de geração a geração. Os mitos, histórias, lendas, provérbios e adivinhações  fazem parte da  literatura popular,que é  tão apreciada no mundo inteiro, por diferentes povos. Vamos conhecer  esses gêneros:
1) Mito  não é o mesmo que fábula, conto de fada ou lenda.  Mitos - são narrativas utilizadas pelos povos antigos para explicar fatos da vida real e  fenômenos da natureza que não eram compreendidos por eles, a exemplo do Mito da Criação do Mundo  (Cosmologia). Os mitos se utilizam de muita simbologia, personagens sobrenaturais, deuses, semi-deuses e heróis para explicar a origem das coisas. Está  relacionado com uma dada cultura e/ou religião e  procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de  criaturas sobrenaturais, como: deuses, semi-deuses e heróis.  Um dos objetivos do mito, portanto, é  explicar  pela imaginação e pela fantasia, fatos que a ciência não explica. Todos  os povos possuem seus mitos. Alguns assuntos como a criação do mundo, deram origem a  vários  outros, fazendo com que os  vários povos da Terra tenham a  sua própria explicação para a origem do mundo.
Mitologia é o estudo e interpretação do mito e do conjunto de mitos de uma determinada cultura. Exemplos: mitologia grega, mitologia romana, mitologia africana e mitologia egípcia  (do Egito - país situado no Norte da África).
2) Fábula - é uma narrativa  curta que traz uma reflexão sobre os valores humanos,  onde os animais são os personagens principais e os seres humanos podem não estar presentes na história. Na fábula os animais falam, pensam e agem como seres humanos. O objetivo da fábula é transmitir um ensinamento, criticar uma determinada maneira de agir e de se comportar com o outro. Por isso, a fábula sempre  termina  com uma lição de moral. 
Veja no exemplo da fábula a raposa e as uvas, animal que é sempre mostrado como muito esperto. Veja  também o leão e o rato.  
                 
                                                 A Raposa e as Uvas

Uma raposa faminta entrou num terreno onde havia uma parreira cheia de uvas maduras, cujos cachos se penduravam muito alto, bem acima de sua cabeça.  A raposa não resistiu à tentação de chupar aquelas uvas mas,   por mais  que pulasse, não conseguia abocanhá-las.  Cansada de tanto pular, olhou mais uma vez os apetitosos cachos de uvas e disse: ESTÃO VERDES ...
Moral da história: é  fácil desdenhar  daquilo que não se alcança.
O Leão e o Rato

Um Leão dormia sossegado, quando foi despertado por um Rato, que passou correndo sobre seu rosto. Com um bote ágil ele o pegou, e estava pronto para matá-lo,  quando o Rato suplicou:
- Ora, se o senhor me poupasse, tenho certeza que um dia poderia retribuir sua  bondade.
Rindo por achar ridícula a ideia, assim mesmo, ele resolveu libertá-lo. Aconteceu que, pouco tempo depois, o Leão caiu numa armadilha colocada por caçadores. Preso ao chão, amarrado por fortes cordas, sequer podia mexer-se. O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou e roeu as cordas até deixá-lo livre. Então disse:
- O senhor riu da ideia de que eu jamais seria capaz de ajudá-lo. Nunca esperava  receber de mim qualquer favor em troca do seu. Mas agora sabe, que mesmo um pequeno Rato é capaz de retribuir um favor a um poderoso Leão.
Moral da história: Os pequenos amigos podem se revelar os melhores e mais leais aliados.
Fonte:      http://sitededicas.uol.com.br/fabula3a.htm

                    “Quem conta um conto, aumenta um ponto.”, diz o dito popular.

3) Conto -  é uma narração breve de um acontecimento.   Em geral, não apresenta divisão em capítulos. O conto é curto e direto. Tem estrutura fechada e um número reduzido de personagens. As características a seguir, servem para nos ajudar a identificar esse gênero literário, tão popular.
O conto é uma forma de contar e passar adiante nossas histórias. Narra  um fato inusitado,  ou seja, que não é comum, mas  que pode ocorrer na vida das pessoas. Por isso atrai leitores de todas as idades e níveis intelectuais. Sua linguagem é simples, direta, acessível e dinâmica.  É uma narrativa linear e curta no  tamanho e no tempo.  As ações se passam em um só espaço,  tem  um único  eixo temático e um conflito. Todas as ações se encaminham direto  para o desfecho final. O primeiro grande contista brasileiro foi Machado de Assis, que se revela no início do Realismo, e seu nome se tornaria consagrado pelo brilhantismo com que dominava as palavras. Alguns autores falam de contos alegóricos, os contos fantásticos, os contos satíricos, os contos de fadas, entre outros.
O conto de fada é uma história fictícia, ou seja, não é real,  que traz elementos ou criaturas mágicas (era uma vez...). Os contos de fadas são uma variação do conto popular ou fábula. É comum o uso de príncipes e princesas. A linguagem é simples e direta possuindo  apenas um clímax. Exs: O Soldadinho de Chumbo, O Patinho Feio,  A Lenda do Tambor Africano -  O Sonho    dos Macaquinhos, que  você vai ler  aqui, entre tantos outros que existem.  
4) Lenda-  é uma narrativa  de caráter fantasioso transmitida pela tradição oral de geração a geração, através dos tempos. Na maioria das vezes, as lendas surgem a partir de  acontecimentos  verdadeiros, que procuram explicar pela imaginação fatos  que os seres humanos  não conseguem  explicar pela razão. As personagens das lendas nem sempre são seres humanos. Existem elementos da flora (animais), da fauna (plantas) , seres mágicos, monstros, pessoas e seres fantásticos. A principal característica da lenda é ser oral. Não se conhece o  autor dessas narrativas. É cultura popular. Isso explica o porquê de  existir várias versões para uma  mesma história contada em lugares diferentes. No Brasil, de norte a sul, há muitas lendas, cada qual com sua tônica regional. São lendas  de origem africana, indígena e portuguesa.  Assim, os costumes, valores e cultura de um povo, podem ser estudados através da análise de suas lendas. Com base nessas leituras, podemos  conhecer  diferentes  visões de mundo que mantém viva a tradição dos povos. Vamos agora conhecer um pouco da cultura oral africana, através de  seus contos e de suas  lendas. Bons estudos !


                       Contos e Instrumentos  Musicais de Origem  Africana 

Os  instrumentos  de  origem  africana   têm  uma  alegria  pulsante  em  sua  batida.  Muitas  são  as  lendas  africanas  sobre a origem dos seus instrumentos musicais, que   quando tocam nos fazem   sentir  seu  som  vibrando  em  todas  as  partes  de  nosso  corpo. Vamos conhecer alguns desses instrumentos, começando pelo tambor. 
O tambor é um instrumento musical de percussão, que é formado por um tipo de caixa arredondada vazia, coberta por uma  espécie  de  pele.  Quando  batemos  sobre  a  pele,  produzimos  um  som  interessante,  por  causa  da  vibração  que  a  pele  faz  ao  receber  a  batida.  O conto abaixo, chamado “a origem do tambor”, vem de um país africano chamado Guiné  Bissau e vai nos contar como esse instrumento surgiu.  
             
A Lenda do Tambor Africano: o  sonho dos macaquinhos. Conto africano que vem da Guiné Bissau


Dizem  na  Guiné  que  a  primeira  viagem  à  lua  foi  feita  pelo  macaquinho  de  nariz  branco. Segundo  contam as pessoas,  certo  dia,  os  macaquinhos  de  nariz  branco  resolveram  fazer  uma  viagem  à  lua  para  trazê-la  até  a  terra.  Tentaram  de  todas  as  formas  subir  até  a  lua,  mas  não   tinham  sucesso,  até  que  um  deles,  o menor de todos, teve  a ideia de subirem uns por cima dos outros para tentar chegar à Lua.
Porém, a pilha de macacos desmoronou e  todos caíram, menos o menor, que ficou pendurado na Lua. Esta lhe deu a mão e o ajudou a subir. A Lua gostou tanto dele que lhe ofereceu, como presente, um tamborinho. 
O macaquinho foi ficando por lá, até que começou a sentir saudades de casa e resolveu pedir à Lua que o deixasse voltar.
A Lua o amarrou ao tamborinho para descê-lo pela corda, pedindo a ele que não tocasse antes de chegar à Terra e, assim que chegasse, tocasse bem forte para que ela cortasse o fio. 

O Macaquinho foi descendo feliz da vida, mas na metade do caminho, não resistiu e tocou o tamborinho. Ao ouvir o som do tambor a Lua pensou que o Macaquinho houvesse chegado à Terra e cortou a corda. O Macaquinho caiu e, antes de morrer, ainda pode dizer a uma moça que o encontrou, que aquilo que ele tinha era um tamborinho, que deveria ser entregue aos homens do seu país. A moça foi logo contar a todos sobre o ocorrido.  Vieram pessoas de todo o país e, naquela terra africana, ouviam-se os primeiros sons de tambor.
Conheça outros instrumentos  musicais de origem afro-brasileira

AGOGÔ

Instrumento musical de percussão  de origem africana composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um cone metálico em cada uma das pontas.

Estes cones são de tamanhos diferentes, portanto produzindo sons diferentes que também são produzidos com o auxílio de um ferrinho que é batido nos cones. Também faz parte da "BATERIA" da roda de capoeira. O termo agogô pertence a língua nagô e vem do vocábulo agogô, que quer dizer sino.
O Bongô Africano Artesanal é  um instrumento musical do tipo membra-fone  composto por dois pequenos tambores unidos entre si. Em sua forma moderna,  no final do  século XIX chegou a Cuba, sendo tocado nos bailes de salsa.
                                          
                                          GANZÁ (reco-reco do Brasil)


O  ganzá  é  um  dos  instrumentos  mais  conhecidos  de origem  africana.  geralmente  o  chamamos  de  chocalho.  Ele  é  super  fácil  de  fazer  e  tem  um  som  bem  gostoso. 


O CAXIXI
O caxixi é um  instrumento idiofone (o som é provocado pela  vibração) do tipo  chocalho,   originário da  Região do Congo-Angola, África.  Tem o formato de um pequeno cesto de palha  trançada, em forma de  campânula.  Pode ter vários tamanhos e ser simples, duplo ou triplo. A abertura é fechada por uma rodela de cabaça.  Tem uma alça no vértice. Possui pedaços de acrílico, arroz ou   sementes   secas na parte interna   para  emitir os sons.   É usado principalmente como complemento do  berimbau.  
Desafio  dos  instrumentos  musicais: faça você mesmo o seu instrumento musical

 Ganzá:  vamos fazer um ? Mãos  à  obra !  
MATERIAL:
·      2 latas vazias; grãos de milho; fitas adesivas coloridas.
COMO  FAZER  SEU  GANZÁ (Instruções):
Lave  as  latas  e retire  os  rótulos;  seque-as  bem  e  coloque  os  grãos  de  milho  dentro  de  uma  das  latas;  junte a  outra  lata  e  prenda  as  duas  com  fita  adesiva; passe  fitas  adesivas  coloridas  por  todo  o  seu  ganzá,  para  que  ele  fique  bem bonito e bem  alegre. Agora  é  só  chacoalhar  o seu   ganzá -  e  o  corpo também! Vamos lá


Lendas  Africanas  dos Orixás, deuses da África

 As lendas   aqui  citadas foram catalogadas pelo fotógrafo francês Pierre Verger, que viveu durante  muitos anos na Bahia e viajou por dezessete anos pela África Ocidental. Você poderá ler e conhecer essas lendas no link que iremos disponibilizar. Há muitas  lendas africanas que contam as histórias e as aventuras dos Orixás, os deuses da África, como acontece com as aventuras   contadas na mitologia grega e romana sobre os deuses daqueles povos antigos,  que você estuda nos livros de história.  A  história de Oxum,  as  lendas de Oxossi e de Oxaguian, de Ogum, o deus do ferro.  As origens de Xangô, de Iemanjá e de Obaluaê, enfim.  Conheça agora a lenda de OSSAIN,  o senhor das virtudes das folhas, plantas medicinais e  litúrgicas.   
Ossaniyn, Ossaim, Ossãe, Ossain (como se escreve habitualmente) é o Vodun da caça e das florestas e conhece os segredos das folhas. É filho de Nanã com Oxalá. Comanda as folhas medicinais e litúrgicas chamadas de  folhas sagradas, usadas nos ritos do candomblé  que são utilizadas numa mistura especial de nome  abô. Cada Orixá tem a sua folha, mas só Ossaim detém seus segredos. E sem as folhas e seus segredos não há  axé.  Portanto, sem ela nenhuma cerimônia  religiosa é possível. Vamos conhecer agora  a lenda desse Orixá, deus africano das folhas -  Ossain.
  
OSSAIN, o senhor das folhas

Ossain receberá de Olodumaré o segredo das folhas.
Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor.
Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidentes.
Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.
Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e imperioso, irritado por esta
desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar a Ossain a propriedade das folhas.
Falou dos planos à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos. Explicou-lhe que, em certos dias Ossain pendurava, num galho de Iroko, uma cabeça contendo suas filhas mais poderosas.
Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias”, disse-lhe Xangô.
Iansã aceitou a missão com muito gosto.
O vento soprou as grandes rajadas,
Levando o telhado das casas,
Arrancando as árvores,
Quebrando tudo por onde passava e,
O fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada.
A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.
Os orixás se apoderaram de todas.
Cada um tornou-se dono de algumas delas,
Mas, Ossain permaneceu senhor do segredo de suas virtudes
E das palavras que devem ser pronunciadas
Para provocar sua ação.
E, assim, continuou a reinar sobre as plantas
Como senhor absoluto.
Graças ao poder (axé) que possui sobre elas
 Fonte:   Clique aqui                           Acesso: 19/042013


Conheça neste blog as Lendas Indígenas. Clique no link abaixo: 


Conheça os principais Orixás africanos. Clique no link abaixo:

Referências
Osanyin ou Ossaim. Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Osanyin
Lendas dos Orixás
http://www.lendas.orixas.nom.br/
Professora Pauline:. A África está em nós – Música afro-brasileira 
http://profpauline.wordpress.com/2012/10/29/a-africa-esta-em-nos-musica-afro-brasileira/
http://www.infoescola.com/redacao/mito-ou-lenda/
GRANATIC , Branca; ALMEIDA, Vera.  Linguagens em sintonia, língua portuguesa.  Ed scipione, 5ª série/6º ano., páginas 70 a 74.
GALLO, Priscila Maria.  CAXIXI: UM EXEMPLAR DA PERCUSSÃO AFRO-BRASILEIRA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA REFLEXÕES DE PERSPECTIVA ETNOMUSICOLÓGICA. Programa de Pós-Graduação em Música -UFBA-Salvador  Mestrado-Etnomusicologia SIMPOM: Subárea de Etnomusicologia
http://www.unirio.br/simpom/textos/SIMPOM-Anais-2010-PriscilaMariaGallo.pdf


Todas as Imagens são  do Google. 


3 comentários:

  1. CARLOS DE ASSUMPÇÃO – O maior poeta negro da historia do Brasil autor do poema o PROTESTO Hino Nacional da luta da Consciência Negra Afro-brasileira, em celebração completou 87 anos de vida. CARLOS DE ASSUMPÇÃO nasceu 23 de maio de 1927 em Tiete- SP completando 87 anos de vida com sua família e amigos na cidade de Franca/SP onde nasceu (Abdias do Nascimento (14 de março de 1914 — Rio de Janeiro, 24 de maio de 2011 ) e nós da ORGANIZAÇÃO NEGRA NACIONAL QUILOMBO O. N. N. Q. FUNDADO 20/11/1970 (E diversas entidades e admiradores parabenizam o aniversario de 87 anos do mestre poeta negro Carlos Assumpção) tivemos a honra orgulho e satisfação de ligar para a histórica pessoa desejando felicidades, saúde e agradecer a Carlos de Assunpção pela sua obra gigante, em especial o poema o Protesto que para muitos é o maior e o mais significante poema dos afros brasileiros o Hino Nacional dos negros. “O Protesto” é o poema mais emblemático dos Afros Brasileiros e uns das América Negra, a escravidão em sua dor e as cicatrizes contemporâneas da inconsciência pragmática da alta sociedade permanente perversa no Poema “O Protesto” foi lançado 1958, na alegria do Brasil campeão de futebol, mas havia impropriedades e povo brasileiro era mal condicionado e hoje na Copa Mundial de Futebol no Brasil 2014 o poema “O Protesto” de Carlos de Assunpção está mais vivo com o povo na revolução para (Queda da Bas. Brasil.tilha) as manifestações reivindicatórias por justiça social econômica do povo brasileiro que desperta na reflexão do vivo protesto.
    O mestre Milton Santos dizia os versos do Protesto e o discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América, em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington. «I have a Dream» (Eu tenho um sonho) foram os dois maiores clamores pela liberdade, direitos, paz e justiça dos afros americanos. São centenas de jornalistas, críticos e intelectuais do Brasil e de todo mundo que elogia a (O Protesto) (Manifestação que é negra essência poderosa na transformação dos ideais do povo) obra enaltece com eloquência o divisor de águas inquestionável do racismo e cordialidade vigente do Brasil Mas a ditadura e o monopólio da mídia e manipulação das elites que dominam o Brasil censuram o poema Protesto de Carlos de Assunpção que é nosso protesto histórico e renasce e manifesta e congregam os negros e todos os oprimidos, injustiçados desta nação que faz a Copa do Mundo gastando bilhões para uma ilusão de um mês que poderá ser triste ou alegre para o povo brasileiro este mesmo que às vezes não tem ou economiza centavos para as necessidades básicas e até para sua sobrevivência e dos seus. No Brasil
    .

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  2. .
    Poema. Protesto de CARLOS DE ASSUMPÇÃO

    Mesmo que voltem as costas
    Às minhas palavras de fogo
    Não pararei de gritar
    Não pararei
    Não pararei de gritar

    Senhores
    Eu fui enviado ao mundo
    Para protestar
    Mentiras ouropéis nada
    Nada me fará calar

    Senhores
    Atrás do muro da noite
    Sem que ninguém o perceba
    Muitos dos meus ancestrais
    Já mortos há muito tempo
    Reúnem-se em minha casa
    E nos pomos a conversar
    Sobre coisas amargas
    Sobre grilhões e correntes
    Que no passado eram visíveis
    Sobre grilhões e correntes
    Que no presente são invisíveis
    Invisíveis mas existentes
    Nos braços no pensamento
    Nos passos nos sonhos na vida
    De cada um dos que vivem
    Juntos comigo enjeitados da Pátria

    Senhores
    O sangue dos meus avós
    Que corre nas minhas veias
    São gritos de rebeldia

    Um dia talvez alguém perguntará
    Comovido ante meu sofrimento
    Quem é que esta gritando
    Quem é que lamenta assim
    Quem é

    E eu responderei
    Sou eu irmão
    Irmão tu me desconheces
    Sou eu aquele que se tornara
    Vitima dos homens
    Sou eu aquele que sendo homem
    Foi vendido pelos homens
    Em leilões em praça pública
    Que foi vendido ou trocado
    Como instrumento qualquer
    Sou eu aquele que plantara
    Os canaviais e cafezais
    E os regou com suor e sangue
    Aquele que sustentou
    Sobre os ombros negros e fortes
    O progresso do País
    O que sofrera mil torturas
    O que chorara inutilmente
    O que dera tudo o que tinha
    E hoje em dia não tem nada
    Mas hoje grito não é
    Pelo que já se passou
    Que se passou é passado
    Meu coração já perdoou
    Hoje grito meu irmão
    É porque depois de tudo
    A justiça não chegou

    Sou eu quem grita sou eu
    O enganado no passado
    Preterido no presente
    Sou eu quem grita sou eu
    Sou eu meu irmão aquele
    Que viveu na prisão
    Que trabalhou na prisão
    Que sofreu na prisão
    Para que fosse construído
    O alicerce da nação
    O alicerce da nação
    Tem as pedras dos meus braços
    Tem a cal das minhas lágrima
    Por isso a nação é triste
    É muito grande mas triste
    É entre tanta gente triste
    Irmão sou eu o mais triste

    A minha história é contada
    Com tintas de amargura
    Um dia sob ovações e rosas de alegria
    Jogaram-me de repente
    Da prisão em que me achava
    Para uma prisão mais ampla
    Foi um cavalo de Tróia
    A liberdade que me deram
    Havia serpentes futuras
    Sob o manto do entusiasmo
    Um dia jogaram-me de repente
    Como bagaços de cana
    Como palhas de café
    Como coisa imprestável
    Que não servia mais pra nada
    Um dia jogaram-me de repente
    Nas sarjetas da rua do desamparo
    Sob ovações e rosas de alegria

    Sempre sonhara com a liberdade
    Mas a liberdade que me deram
    Foi mais ilusão que liberdade

    Irmão sou eu quem grita
    Eu tenho fortes razões
    Irmão sou eu quem grita
    Tenho mais necessidade
    De gritar que de respirar
    Mas irmão fica sabendo
    Piedade não é o que eu quero
    Piedade não me interessa
    Os fracos pedem piedade
    Eu quero coisa melhor
    Eu não quero mais viver
    No porão da sociedade
    Não quero ser marginal
    Quero entrar em toda parte
    Quero ser bem recebido
    Basta de humilhações
    Minh'alma já está cansada
    Eu quero o sol que é de todos
    Ou alcanço tudo o que eu quero
    Ou gritarei a noite inteira
    Como gritam os vulcões
    Como gritam os vendavais
    Como grita o mar
    E nem a morte terá força
    Para me fazer calar.
    Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
    quilombonnq@bol.com.br

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